FREE Black Keys!

Seattle I love you, and you didn't bring me down.

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Aqui tem dessas coisas e vez por outra rola uma boca livre. Claro que não foi uma das tarefas mais fáceis, foi preciso estar às sete da matina de uma quinta-feira chuvosa e ser um dos mil primeiros a pisar na nova Microsoft Store (estrategicamente localizada em frente a Apple Store). Mas depois do show de ontem, te garanto, valeu cada segundo de sono perdido. Daí sexta-feira happy hour here we go!

Minha expectativa era um pocket show básico, meia horinha, quarenta minutos e eu já me daria por satisfeito. Até porque vamos combinar, show do Black Keys pra mil pessoas? Da última vez q fiquei sabendo eles estavam tocando no Main Stage do Coachella logo depois do Interpol.

Quebrei a cara, e eu adoro quando isso acontece. O duo me faz um show de festival, uma hora e dez de música claramente divididas em 3 atos. Abrem com várias dos primeiros albuns. Acompanhados de um baixista e tecladista encabeçam todos os hits do último album. E pra fechar, os dois sozinhos no palco metem duas ou três de Magic Potion e Attack & Release.

E é em Everlasting Light, quando o tom sobe e o ritmo diminui, que eu me dou conta da beleza que é assistir os Black Keys de pertinho ao vivo.

Thickfreakness

Phoenix Jones, an indie super-hero is what we need.

Pedindo licença pra sair do campo da música e entrar no terreno fantástico dos super-heróis.

Seattle é indie na veia, tão na veia que logo ali, debaixo dos viadutos da Alaskan Way surgiu uma espécie de Liga da Justiça underground. Enquanto o mundo clama por Avengers e seus homens de ferro, Seattle sobrevive na base do Rain City Super Heroes Movement. A liga é formada por vários super heróis mas o Batman da turma é mesmo Phoenix Jones.

Rodando pelas saídas das boates coxinhas da cidade o que não falta é trabalho. Com uma armadura colada no corpo e um gás de pimenta para casos de emergência ele sai separando brigas, evitando assaltos e tomando bolsadas das meninas bêbadas que não entendem que debaixo daquela armadura, ele é só um pai de família que resolveu fazer alguma coisa em busca de um mundo melhor.

Como todo super-herói indie, Phoenix Jones é um talento prestes a atingir o mainstream. Semana passada sua fama atingiu o clímax com chamadas até CNN e no Washington Post. Numa noite fria e escura como outra qualquer Phoenix Jones saiu para apartar uma briga que acabou desencadeando gás de pimenta, perseguições de carro, um quase atropelamento e um vídeo de 13 minutos. A policia só foi aparecer depois de tudo resolvido (óbvio), Phoenix Jones acabou preso, se viu obrigado a declarar ao mundo sua identidade secreta, mas disse que continuaria combatendo o crime. Marvel Civil War perde.

E assim como em The Dark Knight Returns seu sucesso poderá ser medido nas próximas semanas. Com o Halloween se aproximando, Seattle pode ser bombardeada de vários Phoenix Jones wanna be. Sem dúvida nenhuma, a fantasia do ano.

Seattle, sempre achei essa cidade com cara de Gotham City.

Nirvana 20 anos, Experience Music Project, Seattle

E de pé no meio da platéia eu pensava: "que vergonha, essa parada tá sendo transmitida pro mundo inteiro".

A lista de celebridades seattlites era ilustre como o nirvana Krist Novoselic, a homenageada Susie Tennant e o produtor Jack Endino. Só que eu nao tenho moral pra puxar uma conversa de bar com o Duff McKagan, então o que interessava mesmo era ver um show com performances decentes e sair de lá com uma nostalgia cutucando o canto da orelha. Não rolou.

Uma banda por música e um intervalo de quase 5 minutos entre elas. Sério. Com um acerto tão grande, eu não entendo como ninguém pensou em colocar uns vídeos sobre a história da banda no mega telao que ficava atrás do palco.

Algumas bandas mandaram realmente bem e eu falo disso em duas linhas, mas o palco em geral tava pior que o Show de Calouros. Não dava pra diminuir o número de bandas elevando o nível? Eu sei que todo mundo quer tocar, mas o bar tá cheio de convidado ilustre, vai pra lá que é mais negócio.

Krist Novoselic puxou urros em homenagem ao Kurt e o Dave Grohl apareceu no telao pra dar um alô, mas passados alguns dias o que realmente valeu a pena foi a versao do Ravenna Woods pra Breed e o Pigeonhead com Heart Shaped Box. E só pra nao deixar de lado o Krist Novoselic com o Presidents Of The United States mandando On a Plain. Assista os vídeos porque essas versões valem a pena.

Ravenna Woods - Breed

Pigeonhead - Heart Shaped Box

Krist Novoselic + Presidents Of The United States - On a Plain

Fleet Foxes @ Paramount

Isso não é uma resenha.
Isso é praticamente uma crônica de auto-ajuda.

O Fleet Foxes reservou dois dias pra tocar numa das casas de show mais lindas de Seattle. O Paramount é tipo um Teatro Municipal, daqueles que você olha pro teto e vê um lustre se despencar quilômetros segurado por um micro cabo. É uma casa de show com som limpo que só perde pros verdadeiros teatros municipais. Enfim, um show ali não tem como dar errado. E só um idiota completo não compraria ingresso pra um show desses. Há poucas horas do show, eu ainda era um idiota completo.

Isso não é uma resenha.
Isso é uma autoflagelação pública.

O Fleet Foxes faz parte da minha história em Seattle, ou melhor, a ausência do Fleet Foxes faz parte da minha história em Seattle.  Bem antes do primeiro álbum, eu estava num Sasquatch Festival pronto pra ver o National quando cancelaram e colocaram um tal de Fleet Foxes no lugar, que horas antes eu tinha escolhido não assistir no menor palco do festival. Entraram, começaram seu folk barroco, olhei pro meu amigo e disse: "coisa chata, bora usar o tempo pra comer um burrito". 

Isso não é uma resenha.
Isso é minha preguiça tomando conta.

Lançaram o álbum e a banda estourou. Outros shows aconteceram, todos lotados e eu sempre do lado de fora. Banda da semana, disco do ano, a revolucao do folk e eu acompanhando via mp3. Anunciaram as duas datas no Paramount e eu resolvi ir. Resolvi mas não comprei. Esperei. O que eu esperei eu não sei. Talvez eu já estivesse acomodado e me dado por vencido. Talvez eu tivesse enjoado e não sabia. Só fui comprar poucas horas antes do show. Talvez Deus tenha colocado o dedo e falado pra não lotar, me dando uma chance de ter um ingresso em cima da hora. Mais provável que todo o hype tenha passado e já não exista surpresa nenhuma na música dos caras.

Isso não é uma resenha
Isso é a minha volta por cima

Começa o show, e eu me vejo gostando das músicas, mas ao mesmo tempo entediado por um recorrente coral de igreja a capela no meio de quase todas as músicas. A banda é muito boa, e na hora que o som bate eu me balanço, mas o segundo álbum é infinitamente pior que o primeiro, arrastando por quase duas horas um show que poderia ser mais compacto. O show longo por sinal é um motivo de coragem dos caras. Tocando praticamente todas as músicas do repertório, é fato que eles acreditam no próprio taco. Eu em compensação saio acreditando que o hype passou e eu nao perdi muita coisa durante todos esses anos.

Eles precisam de um terceiro disco fugindo dessa linha, caso contrário o show se tornará ainda mais monótono, e se antes eu deixava passar por idiotice e descuido, amanha acabarei deixando passar por opção..

Arctic Monkeys @ Seattle

Pra começar acho que só um parágrafo pro Vaccines é suficiente. Eles chegaram, tocaram meia-hora num piloto automático entediante e mostraram que falta sangue pra virarem uma banda de peso. Convenhamos, o álbum deles é bom, mas sem show a situação complica.
 
Mas bora falar de coisa boa. Se você ouve os quatro discos do Arctic Monkeys na sequência fica claro que a idade foi amolecendo os rapazes e as musicas acalmando.  Minha dúvida ao chegar no show era até q ponto a banda ainda tinha gás pra colocar a casa abaixo como faziam nos velhos tempos de Fake Tales of San Francisco.
 
E abrindo com quatro músicas em ritmo turbo (três dos dois primeiros albums) em alto e bom som me avisaram: "Oh you know nothing!". Sem ar, mais apertado que em final de brasileiro cambaleei, pedi um canto pra sentar and guess what, they moved my chair. Não tinha pra onde fugir, o chão pulava junto e a plateia waved their arms como pretty visitors. A casa era dos macacos e não sobraria brick by brick pra contar história.
 
Com os óculos embaçado, tênis triturado e pingando suor dos outros joguei meu último ar no que pra mim seria a última música da primeira parte. I Bet You Look Goog On The Dancefloor entrou, destruiu tudo o que sobrava de mim e pra meu desespero o show prosseguiu. Recuei por 30 segundos voltando pro tumulto logo em seguida, the sun was going down e seria um desperdício assistir de braços cruzados.
 
Pausa rápida, voltaram pro bis, tocaram Suck It and See e Fluorescent Adolescent, daí pararam, esperaram um segundo e fecharam devagar, with a 45-minute drive, going back to 505
 
Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair
 
The Vaccines: Under Your Thumb