Um martini com Mayer Hawthorne


Tiro um final de semana das nuvens de Seattle pra me entregar à nicotina de Las Vegas.
Dois dias antes de viajar descubro que Mayer Hawthorne estará presente.
Procuro em sites de venda e não encontro nenhum lugar vendendo, estranho.
Corro atrás do local do show e entendo o porque: Mayer Hawthorne tocará de graça por 4 dias num bar/lounge no recém inaugurado Cosmopolitan Casino (pense SexAndTheCityStyle).

... Fast forward até o meio do show num sábado à noite.

Estou no bar ensinando a bartender a preparar um smokey martini enquanto Mayer Hawthorne e sua banda no maior estilo crooner destila seu soul pelo bar. Um casamento perfeito se não fosse o público predominante de Las Vegas. (e é aqui q a resenha deprime).

... Rewind até alguns minutos antes do show.

Chego e encontro um bar cheio, procuro alguém pra puxar papo e pergunto se ela veio para ver o show: "Quem? Nunca ouvi falar." Ainda tento explicar mas ela está mais preocupada na noitada Top40s q tem pela frente.
Mudo de foco e repito a mesma pergunta para um grupo de 4 amigos: "Não, a gente só tá aqui descansando um pouco antes da noitada Top40s"
Encosto no bar, o show começando e a resposta da mulher à minha esquerda confirma o q eu já sabia. Dou um tempo de duas músicas e ela me diz que o som é bom, mas conversar com a amiga sobre o que rolou na noite passada tem prioridade.
Um novo grupo à minha direita se aproxima tirando várias fotos. Gostam do som mas saem logo em seguida, já que as fotos só acontecem porque o lugar é bem decorado (SexAndTheCityStyle).

Sentado no meio do bar olho em volta e vejo um pequeno grupo à esquerda e outro à direita participando das músicas. Mayer percebe aquele oásis no meio do deserto e canta pra eles. Chama um micro coro durante "Maybe So, Maybe No", a platéia interessada corresponde tentando injetar um ânimo, mas o som baixo com o claro objetivo de nao atrapalhar a mesa mais próxima de blackjack também não ajuda.

Mayer tocou tudo o que dava e me deu a impressão que se o show fosse num lugar fechado com uma platéia interessada seria tudo bem diferente. Fico imaginando o público participando e casais de namorados dançando juntinhos a luz de um globo no teto.

Como não tive essa sorte, virei o Martini.