Tame Impala @ Neumos, Seattle
Então faz assim, você assiste um show fenomenal do Tame Impala durante o pôr do sol do Coachella, volta pra terra cinza de Seattle, compra ingresso pra assistir de novo e espera um repeteco? Claro que haverá diferenças, de um lado 50 minutos num palco enorme a céu aberto, do outro uma casa de médio porte e a chance de se ver um show inteiro. Mas e aí, quem se sai melhor?Casa lotada com o Yuck dando as caras como banda de abertura. Bandinha chata pacas. Presença de palco zero e o vocalista de uma timidez absurda. As música também não ajudavam em nada já que o repertório tem um ar bem depressivo. Foram aplaudidos por educação, não serviram em nada pra aumentar a expectativa e quando o Tame Impala pisou no palco a temperatura da plateia era mais ou menos a típica temperatura de Seattle, fria.E já no primeiro acorde deu pra se notar a diferença que uma casa fechada faz em relação ao palco do Coachella. Grave lá no alto, som pesado e ouvidos zumbindo. Se no festival a postura era um psicadélico com faixa hipponga na cabeça, aqui quem comandava era Nick Allbrook se retorcendo em volta do seu contra-baixo. Contra-baixo que domina todas as músicas. Talvez seja até mais justo dizer todas as camadas das músicas estão ali servindo como acompanhamento pro baixo. Nick destrói, e pra uma banda formada por moleques de vinte anos (eles tem tudo isso?) é impressionante a maturidade e segurança q demonstram no palco.Com as músicas entrando umas nas outras eles ainda se deram ao luxo de mostrar uma música "instrumental experimental". Brincadeira né? Aquele som altamente psicodélico e eles ainda conseguem tornar a viagem ainda mais ácida. Maravilhoso é pouco.No fim o vocalista avisou que tocariam mais duas ou três músicas e q nao fariam bis porque achavam besta. Eu meio que concordo, deixem o bis para apresentações extraordinárias, causa muito mais impacto.Fim de papo, e como esse show se compara com o do Coachella assistido poucos dias antes? A música experimental foi pro setlist e outras foram alimentadas por boas improvisações, o som ficou bem mais pesado e o telão mostrando o que acontece quando se liga um osciloscópio aos instrumentos ajudou a aumentar o transe, mas não há como negar, o clima e o pôr do sol do Coachella continuam imbatíveis.PS: Acabei de descobrir o Nick Allbrook nao faz parte oficialmente do Tame Impala... como pode?e tome umas fotos e mais um vídeo